Curadoria semanal • Marketing & Tecnologia
por Frederico Carvalho
Receitas europeias aumentaram 38% para 6,3 mil milhões de dólares; operações mais que duplicaram desde 2022, mas a empresa manteve perdas antes de impostos de 616 milhões.
Dados da Adobe mostram aumento no uso da aplicação para pesquisas e subida do ChatGPT como alternativa, enquanto o motor tradicional permanece dominante.
Inquérito com 406 participantes mostra que receitas e recomendações levam a visitas a restaurantes e que apresentação visual supera identidade do criador.
Há um tipo de “conteúdo educativo” que, honestamente, mete medo – não por ser violento, mas por ser vazio, rápido e irresistível.
Esta semana li uma investigação sobre o YouTube que me deixou a pensar:
os utilizadores da amostra depois de verem vídeos normais de referência para crianças (CoComelon, Bluey, Ms. Rachel), passaram 15 minutos a fazer scroll de Shorts… e, numa dessas sessões, cerca de 40% dos vídeos recomendados pareciam ter visuais gerados por IA.
O padrão repetia-se: clips de 20–30 segundos, cores a gritar, transformações sem sentido, bichos a nascer de tubos de pasta de dentes, cenas “hiper-realistas” com comportamentos impossíveis – tudo sem enredo, sem repetição pedagógica, sem lógica.
O problema não é “ser IA”.
O problema é o que isto faz ao cérebro de uma criança pequena.
Especialistas em desenvolvimento alertam que este tipo de estímulo pode ser cognitivamente esmagador, porque mistura elementos “realistas” com ações que não obedecem ao mundo real, obrigando a criança a gastar energia a tentar mapear coisas que não encaixam.
E, quando o feed começa a privilegiar isto, acontece o efeito mais silencioso: deslocamento.
Menos tempo para histórias com princípio-meio-fim, menos tempo para linguagem com ritmo, menos tempo para brincar e interagir.
O que torna isto ainda mais desconfortável é que não é óbvio, à primeira vista, que muitos destes vídeos são sintéticos.
Há erros?
Sim: braços a mais, texto “derretido”, faces estranhas.
Mas muitos já são suficientemente “limpos” para passar no olhar rápido, e nem sempre vêm bem assinalados.
A American Academy of Pediatrics, por exemplo, tem vindo a reforçar que, para crianças, a prioridade não é “mais ecrã”, é qualidade, contexto e conversa – e chama a atenção para os riscos de conteúdos sensacionalistas e desenhados para capturar atenção.
Do lado das plataformas, há movimentos que mostram que o tema chegou tarde, mas chegou: o YouTube anunciou novos controlos parentais, incluindo um temporizador para limitar (ou até bloquear) o tempo a fazer scroll em Shorts em contas supervisionadas.
E noutras redes vê-se a mesma tendência: o TikTok disse ter rotulado mais de 1,3 mil milhões de vídeos como gerados por IA e está a testar formas de dar mais controlo aos utilizadores sobre este tipo de conteúdo.
No meio disto tudo, é importante reforçaor o óbvio: as plataformas não estão desenhadas para educar.
Estão desenhadas para reter.
E quando a IA barateia a produção de vídeo, o incentivo natural é produzir mais, mais rápido, mais estranho… porque o estranho puxa o dedo para baixo.
Isto interessa a quem é pai/mãe, claro.
Mas também interessa a quem trabalha em marketing e comunicação, porque o “vídeo com IA” tanto pode ser uma ferramenta séria como pode ser combustível para mais ruído.
A diferença está no método: enredo, intenção, revisão, ritmo.
A IA acelera a produção – não substitui critério.
E é precisamente por isso que, no dia 5 de Março, às 10h, vou dar um webinar gratuito (45 min) sobre como criar vídeo com IA com um sistema simples — do briefing ao clip final — com checklist de revisão e regras para consistência.
Em 2026, o desafio já não é “conseguir gerar vídeo”.
É conseguir gerar vídeo com qualidade, responsabilidade e cabeça – especialmente quando quem está do outro lado do ecrã ainda está a aprender a distinguir fantasia de realidade.
20 atualidades
Plataformas como ReelShort registam maior tempo médio diário por utilizador que Netflix, Prime Video e Disney+, com audiência intensa apesar de bases mais pequenas.
Campanha nas redes sociais usa visuais sintéticos que críticos qualificam de desrespeito à tradição artesanal, suscitando debate sobre reputação e uso de tecnologia.
Compradores de media alocam 5–20% dos orçamentos pagos para campanhas de notoriedade, valorizando conversas e alcance em subreddits altamente segmentados.
Campanha defende alertas sobre riscos de autolesão, ansiedade e perturbações alimentares, instando o público a pressionar deputados por legislação imediata.
A autora, agora com 20 anos, relata início do consumo aos seis e sintomas graves; veredicto pode influenciar milhares de processos contra plataformas.
O formato já concentra 40% do tempo de audição de fala nos EUA, com 115 milhões de ouvintes semanais; crescimento impulsionado por episódios em vídeo.
Formato fornece autenticidade em tempo real; criadores transformam longas sessões em clips virais, podcasts e conteúdos escaláveis com maior fidelização e monetização.
Género mistura samples de Memphis com electrónica agressiva; domina clips curtos em TikTok, Shorts e Reels. Gera streams massivos e receitas para jovens produtores.
Empresa esclarece que digitalizações faciais obrigatórias foram mal interpretadas; menos de 10% precisarão de comprovação e opção inclui métodos alternativos como cartão de crédito.
A proposta exige verificação de idade com multas às plataformas, visa reverter declínio da saúde mental juvenil e pode conflituar com gigantes tecnológicas dos EUA.
O negócio vai permitir treinar modelos de IA usando infraestruturas externas, intensificando a competição nas arquitecturas de chips para aceleração de IA.
Nova opção deixa utilizadores escolher entre colecções públicas ou restritas ao partilhar conteúdo efémero, simplificando o controlo de visibilidade.
Federação europeia e outros órgãos denunciam prática que degrada produtos, aumenta preços e reduz qualidade, e apelam a regulação para proteger utilizadores.
Permite usar a voz para gerar prompts, PRDs, reprodução de bugs e comentários de revisão, autoetiquetando ficheiros e identificadores para GitHub, Jira e Docs.
Relatório da Sophos indica que grande parte dos incidentes analisados resulta da exploração de contas e da ausência de autenticação multifator, com atividade rápida fora do horário laboral.
A funcionalidade chamada Computer opera nos bastidores com 19 modelos, coordenando sub-agentes e automatizando fluxos de trabalho; estreia para assinantes Max.
Empresa critica exigência de acesso irrestrito que incluiria vigilância doméstica e armas autónomas, e diz que ajudará transição se for excluída de contratos.
Modelo da Google DeepMind combina raciocínio avançado com integração de pesquisa em tempo real para criar conteúdos visuais fotorrealistas e infografias complexas em segundos.
Empresa que opera Square e Cash App viu ações cair cerca de 80% desde 2021; cofundador Jack Dorsey justificou a reorganização como forma de aumentar eficiência.
Consultora aponta escassez de memórias como causa, prevê remessas mais baixas em mais de uma década e aumento de 14% no preço médio.
10 atualidades
Em outubro, o Instagram estreia um marketplace e o Facebook uma interface com dados demográficos e taxas de envolvimento para campanhas.
Utilizadores passam a ver e interagir com Reels e publicações no ecrã grande, reprodução automática em canais temáticos, e ligação a até cinco contas.
Empresa vai usar fornecedor externo para pagamentos em Facebook, Instagram e WhatsApp, evitando emitir token próprio e mirando competir em comércio social global.
Documentos judiciais mostram e-mails internos de 2018, dados que indicam exposição de menores a nudez indesejada, e alegações sobre adiamento de proteções.
A nova área mostra publicações temporárias para que utilizadores as encontrem antes de desaparecerem; anúncio divulgado via Threads e X pelo autor.
Notificações serão enviadas por email, SMS, WhatsApp e dentro da app nos EUA, Reino Unido, Austrália e Canadá, com recursos de apoio e expansão global prevista.
Atalho em interface permite aceder rapidamente a funcionalidades de assistência generativa dentro da conversa, reduzindo passos para obter respostas automatizadas.
Ao retirar associação, ferramentas como Meta Business Suite e Ads Manager perdem acesso, afetando gestão e campanhas da organização.
Solução pré‑configurada oferece respostas e assistência para clientes, podendo ser integrada em fluxos de atendimento para automatizar dúvidas comuns.
Nova funcionalidade permite obter a foto do contacto directamente, simplificando actualização e reduzindo passos para manter identidade consistente entre apps.
3 atualidades
Plano mais barato recebe funções essenciais sem custo adicional, exclui Shorts e conteúdo musical que continuam com anúncios; versão completa mantém funções avançadas.
Criadores podem responder a comentários através da app principal ou Studio Mobile; funcionalidade em testes permite acrescentar elementos gerados e reimaginar clipes curtos.
Duas experiências, 'Add object' e 'Reimagine', permitem inserir elementos gerados e criar clipes novos a partir de um único frame.
1 atualidades
Novas proporções de imagem e vídeo permitem às marcas usar anúncios de outras redes sem recortar ou redesenhar, acelerando testes e fluxos de trabalho.
No episódio 346 falamos sobre IA passiva ou ativa, a OpenAI revelou as conversas no ChatGPT e o que marketers podem fazer.
BESTSELLER 2025
2ª Edição
Técnicas avançadas para dominar os resultados de pesquisa
Chega ao fim mais uma edição da DIGITAL SPRINT
Curadoria prática para decisões melhores no marketing e tecnologia.
